Confundir a Nossa parte que é Luz com a parte que é Escuridão

Por: Ricardo Chioro

Por incrível que pareça, essa e uma confusão muito comum.

Existe um eu que é luz, chamado pela psicologia de self, ou pelo hinduísmo de atman.

Isso podemos ver nos textos Humildade e Auto-estima e Esclarecimentos Importantes sobre o Budismo 3. Esse texto se torna muito mais lógico lendo esses outros dois, recomendamos enfaticamente que leia esses outros dois artigos, eles são muito importantes.

Existe uma história de um livro que é assim: Existia um homem que queria muito ser mago, e receberia os direitos de ser mago em uma cerimônia.

Na cerimônia ele teria que recusar se tornar um mago para provar que esse não era um desejo de seu ego, mas isso não ocorreu.

No livro, que era uma história da ficção, entendeu que ele querer se tornar um mago era orgulho e vaidade, que são características do ego.

Isso é um equivoco tremendo, então Jesus querer ser o messias é ego? Saint Germain querer ser o diretor do raio violeta também?

Quer dizer que a pessoa não pode ter o sonho de realizar um trabalho que beneficie os outros porque é de baixa espiritualidade?

Só é ego se a pessoa que tem determinada ocupassão ou trabalho se sentir superior a todo mundo, caso contrario não.

As pessoas nem percebe, mas receber determinado trabalho a faz se sentir superior a todo mundo, porque a pessoa não pensa isso, só tem a sensação, não passa pelo racional.

Não é de baixa espiritualidade querer ser um mago, querer realizar um trabalho espiritual, somente se ela quiser com o principal objetivo de ser superior, ter mais status espiritual do que os outros, caso contrario não.

Muitas vezes também é um desejo do coração da pessoa, mas como ela foi muito educada no ego, pensa muito no que o ego traria com aquilo, pensa que é um desejo que tem origem na baixa espiritualidade, mas não.

Se eliminasse o ego, ainda iria querer.

É comum pessoas boas de coração quererem se iluminar, autoconhecimento, e muitos acham que é orgulho ou vaidade, mas não é.

As vezes o orgulho e vaidade fazem parte desse desejo, mas não é a sua origem.

Deus coloca dentro de nós os desejos bons, como o de realizar a nossa missão, como ocorreu com Cristo ou de algo que vai ajudar na nossa felicidade ou do próximo.

Existem pessoas que condenam a pessoa pensar em si, fazer coisas para si.

Jesus disse: Amai o próximo como a ti mesmo, e não amai o próximo e esqueça a si mesmo.

Existe uma parte nossa que é luz e não devemos abandonar.

Vou contar um segredo para vocês: Jesus não morreu somente pelos outros, morreu também pela realização de seu trabalho, seu sonho, por si mesmo, e isso não é ego, é self, é a parte iluminada do Cristo querendo se realizar.

Seria uma coisa da escuridão se isso fosse para ele se sentir superior aos outros, mas não era isso.

A condição da propagação do trabalho de Jesus era ele ter que morrer na Cruz, e ele era um grande publicitário, vivia de andanças de lugar em lugar arrecadando discípulos para divulgar seus ensinamentos, isso era uma realização própria do Cristo, coisa que não devia ser fácil na época com a externa dificuldade de transporte, andando, sem os meios de comunicação que temos hoje para divulgar conhecimento como internet, livros rápidos de fazer em quantidade que chegassem a muitas pessoas, tv, revista e etc.

Divulgar era uma coisa que dava prazer para Cristo.

Muitas pessoas acham que tratar do eu é tratar do ego, talvez por alguma confusão Budista, explicamos melhor isso no texto: Esclarecimentos Importantes sobre o Budismo 3.

É importante lembrar que no Esoterismo e Misticismo o Budismo exerce uma influencia grande, além de muitos autores e pessoas atuantes no Espiritismo e também outras religiões, que acreditam em reencarnação, lêem sobre o Budismo.

Quando usamos Jesus de exemplo, podemos dissipar muitos mitos, pois as pessoas tem a máxima confiança nele.

Quando Jesus estava ensinado seus discípulos no ritual colocar um pedaço de dão na boca, que era a hóstia, e disse: fazer isso em memória de mim. Isso é ego?

Quando Jesus disse: pregar em meu nome. Isso é vaidade?

Resposta: não.

Sendo assim, pessoas podem falar de si mesmas sem o ego.

Quando falamos de assuntos pessoais que nos dizem respeito e fazem bem, muitas pessoas chamam de baixa espiritualidade, condenam e nos fazem sentirmos mal por causa disso, coisa que não teria problema algum, até mesmo sobre a parte iluminada da pessoa, mas existe a condenação, a censura, como se fosse uma coisa ruim.

Muita coisa se censura como pensar, falar bem ou fazer coisas para si mesmo, ter atitudes que atraiam atenção, ter auto-estima, auto-amor, auto-contentamento, auto-afirmação e etc. como se isso fossem atitudes de menos espiritualidade, mas não são.

A grande maioria das pessoas é egoísta.

Egoístas são seguidoras do ego, assim como Budistas são seguidores do Budismo ou Hinduístas seguidores do Hinduísmo.

É interessante ver o que uma palavra quer dizer.

Quando chamamos alguém de egoísta, muitas vezes não é uma pessoa que seja seguidora do seu ego, mas uma pessoa que esta passando por um momento que não está pensando em quem está o chamando disso.

Muitas vezes é uma colocação errada, e é comum isso.

As vezes a pessoa está pensando por um momento em que está pensando muito em si mesma, mas não é seguidora do ego.

As pessoas que vivem para os seus egos não gostam da parte iluminada e a condenam, a acham ruim, e o ego no misticismo e espiritualismo é aconselhado que não o pratiquem, não sendo bom, e inconscientemente ou até mesmo conscientemente essas pessoas como não gostam do self, colocam ele como justamente o seu oposto, que é o ego.

Justamente por não gostarem do self que o enquadram na parte não recomendada, ruim, que é o ego.

Eles não gostam de ver as características do self nas pessoas, e procuram fazer coisas para eliminar isso, para eles não é bom, é ruim.

Muitas pessoas que não são egoístas são influenciadas por essas pessoas, e o que fizeram com eles, fazem com os outros achando que é o correto, e essas outras que são influenciadas por esses não egoístas também pegam essa influencia e a ensinam a outros.

Às vezes as pessoas são muito duras e rigidas para condenar alguém falando que o que está fazendo não é elevado espiritualmente.

Na maioria das vezes quando se condena o ego, está condenando o self.

Devemos lembrar também que os egoístas são pessoas manipuladores que gostam de controlar os outros, e os manipulam com seus gostos e valores, controlando o outro com o que ele acha que é bom, o ego.

Nesses casos ele não percebe que é o ego, o egoísta não se acha egoísta, e não percebe o que está fazendo.

Como os egoístas são a grande maioria das pessoas, eles estão em abundancia em todas as crenças: Misticismo, Espiritismo, Budismo, Taoísmo, Catolicismo, Umbanda e etc.

É engraçado que condenam a pessoa assumir seu próprio trabalho, ter auto-estima, se auto-valorizar, ter um sonho, ter realizações, querer algo para si, como se tudo isso fosse não fosse elevado espiritualmente, mas não condenam a pessoa se achar superior as outras por achar que é mais evoluída, que sua crença é superior, que seu modo de vida é melhor, que é mais importante que os outros?

Permitem estimular o ego como se não fosse o que ele é, e condenam o self como se ele fosse ego.

É importante dizermos também que não é condenando a pessoa, que ela evoluirá, mas sim trabalhando o seu autoconhecimento.

Condenar é fazer a pessoa se sentir mal consigo mesma, atrapalhando a sua auto-estima.

Textos complementares a esse são: Humildade e Auto-estima e Esclarecimentos Importantes sobre o Budismo 3. Muito importantes para a compreensão deste texto.