EXPLICAÇÃO SOBRE OS MANTRAS - PARTE II

 

Hoje em dia, o uso de expressões védicas em assuntos místicos, esotéricos, ocultismo é tão comum que fazem algumas palavras começarem a ter o seu sentido deturpado, às vezes, vulgarizado.
Palavras que têm sua origem no sânscrito, a Língua Mãe, tais como: guru, karma, dharma, samsara, maya, budha, yoga, nirvana, tantra, mantra; são usadas, muitas vezes, em sentido completamente corrompido, por pessoas inescrupulosas ou mal informadas.Ricardo Chioro

Entre as palavras supracitadas, o mantra, circunstancialmente vem sendo confundido com palavras mágicas, orações, fórmula milagrosa, feitiçaria ou mera superstição; completamente distante de seu sentido real e científico.

O mantra não é uma oração porque nelas o devoto escolhe as suas próprias palavras.

O mantra não é mágica por que não deve ser usado para interferir no curso dos fenômenos naturais e nem se trata de fórmula milagrosa por que é uma regra, uma lei e não um fato isolado sem explicação.

Os mantras são tecnicamente estudados no Tantra Shastra (escritura védicas apropriadas para a era atual, Kali-yuga).

Os mantras são representações sonoras das Divindades, assim como as imagens são Suas representações formais. O nosso mundo é constituído de nomes e formas (namarupa).

No princípio era o Verbo (OM), e o Verbo estava com Deus (Brahman), e o Verbo era Deus... Todas as coisas foram feitas por intermédio Dele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.(João 1.1-3)

Nas escrituras védicas aprendemos que o mantra original é o OM, formado pelas três letras A,U,M;.significando : Brahma, Vishnu, Shiva - o princípio da criação, manutenção e dissolução (ou absorção) do Universo.

Do OM saem todos os demais mantras, conforme ensina a ciência do Mantravidya, que podem ser constituídos por algumas das 50 letras do alfabeto sânscrito chamadas de matrikas (matrizes, ou mãezinhas). Os mantras monossilábicos são chamados de bijas (semente) e são vocábulos inetimológicos. O OM é o bija que dá origem aos demais bijas tântricos.

É ensinado que o Mantra é formado por um conjunto ordenado de letras em certa e determinada seqüência sonora. Para que produza os efeitos específicos é necessário entonação apropriada com relação ao som e ritmo. Se o mantra for traduzido, ele perde a sua potência  como tal (shakti), tornando-se mera palavra ou frase.

Nota: O mantras devem ser pronunciados somente na língua sânscrito.

O Mantra precisa ser despertado (prabuddha) do mesmo modo que qualquer forma de energia (shakti) para se obter o resultado esperado. O conhecimento do seu significado é uma condição necessária, mas não suficiente para produzir bons frutos. De igual modo uma devoção ignorante não é uma condição ideal. O princípio é a união do som com a idéia através do conhecimento do mantra e seu significado. Em Yoga se ensina que o homem se identifica com o objeto de sua meditação, ou seja, se unifica com o objeto em que concentra a sua mente.

O Mantra no qual a Deidade se revelou, pode revela-La para o devoto iluminado ou para iluminá-lo. O Mantra é a Divindade em forma de vibração sonora. Mediante a recitação (japa) constante do Mantra se atinge o Mantrasiddhi (perfeição) que é quando o devoto alcança a unidade com o seu objeto de culto, a Divindade do seu Mantra. Nesta unidade o sádhaka (devoto) torna-se um mantrasiddha. A japa é feita em estado de recolhimento e meditação, absorção no mantra para, no final, ser absorvido na Divindade. Não tem nada haver com a crítica que Jesus fez as vãs repetições, ele se referia exatamente as vãs repetições e não às práticas mantricas em estado meditativo.

Esta é a prática (sadhana) recomendado pelo Tantra Shastra e confirmado por diversos Avatares para esta nossa era (yuga). Ela não é um processo de repetição mecânica, pois de nada adiantaria. Diz-se que a prática da japa é como o homem que sacode o outro para acordá-lo, despertá-lo. Os Tântricos ensinam-nos que os lábios do devoto ao se movimentarem para pronunciarem o mantra são como Shiva e Shakti em maithuna (relação sexual) que finalmente concebem a Deidade adorável do devoto. Deidade esta que é uma expansão do Absoluto (Brahmam), que, por amor aos Seus devotos, manifesta-se neste mundo de formas e nomes. Nesta ocasião o iniciado diz: Eu e o Pai, somos um só. Eu Sou.