No desenvolvimento da autoconsciência é preciso buscar a
força – a Verdade – que está dentro de nós, nem que seja só um grãozinho –
que, na realidade é uma semente a qual, bem cultivada com amor e dedicação,
pode se tornar uma árvore frondosa e frutífera.
A nossa Verdade é o nosso motor, que faz girar nossa energia, nos impulsiona
para frente, nos faz desenvolver e realizar nossas potencialidades e
conquistar o que na vida nos satisfaz. É como uma semente que plantamos: ela
precisa de tempo e da rega de água diária para brotar, se desenvolver e dar
suas flores e frutos.
Como psicoterapeuta, eu “receito” que, para se cultivar a autoconsciência,
se tome uma dose de autopaciência, duas vezes ao dia: de manhã, na hora que
se levanta, e à noite, na hora em que se vai dormir.
A dose da manhã serve para que possamos ter calma e paciência conosco no
decorrer daquele dia, e assim poder tomar as atitudes necessárias em prol da
autoconsciência; e é uma dose que nos coloca em atividade assertiva.
A dose da noite é para nos desacelerar e ter uma noite de sono tranqüila e
repousante, pois no dia seguinte começa tudo de novo...
Precisamos desenvolver a autoconsciência para não nos pressionar
indevidamente, pois um dos ingredientes da frustração ou sentimento de
infelicidade é a idealização do que acreditamos ser ou do que queremos ser
um dia em nossa vida.
E quando um ideal que acreditamos ser e não conseguimos atuar... e quando o
que queremos ser ou ter um dia, e este dia parece que nunca chega... Ficamos
sempre insatisfeitos conosco e com a nossa vida, daí não nos aceitamos e nem
valorizamos nossas pequenas conquistas. Esta é pressão indevida. Isso é o
mal que nos fazemos!
O caminho para se sair desta situação é, primeiro, assumir para si mesmo que
não é – ainda – aquilo que se idealiza, para, depois, ver... sentir...
compreender o que pode ser feito para se ir em direção e buscar alcançar
aquele Ideal – sempre com aquela pequena dose de autopaciência.
A dosezinha de autopaciência serve para se ter calma no dia-a-dia e se
trabalhar em cima daquele ideal, para chegar, quem sabe, o mais perto
possível, lá.
Todo ideal é fruto de uma idéia – prefiro chamar de intuição – na maioria
das vezes, do que somos potencialmente, do que podemos vir a ser.
O potencial é aquela semente, que bem cultivada – com auto-amor... muito
auto-amor – realiza-se.
Portanto, autoconsciência é a sua Verdade personificada, autoconsciência é
ser você inteiro – não importa como – no aqui e agora, na sua vida, de
Verdade.
Maria Aparecida Diniz Bressani é
psicóloga e psicoterapeuta Junguiana,
especializada em atendimento individual de jovens e adultos,
em seu consultório em São Paulo.