O ENCONTRO PARA A NOVA CONSCIÊNCIA - PARTE I

 

Por: Carlos Antonio Fragoso Guimarães

Todos os anos, no período do Carnaval, desde 1992, a cidade de Campina Grande, na Paraíba, é palco de um dos mais maduros, tolerantes e democráticos eventos cientifico-humanistas do planeta: O Encontro para a Nova Consciência, um espaço de encontro (não de mistura, mas de diálogo e compreensão, pois a diferença é rica e enriquecedora) interdisciplinar e inter-religioso, verdadeiro exercício de um encontro encumênico, onde se discutem e vivenciam os temas filosóficos mais caros ao ser humano: o sentimento de fraternidade, partilha, troca de idéias e vivencias de contato humano e espiritual (veja aqui o texto da reportagem exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, sobre o Encontro para a Nova Consciência em 09/03/2003).

"Se pudermos olhar para o outro como nosso irmão e fraternal e solidariamente darmos a mão e caminharmos juntos, esse é o ideal, e foi pra isso que Deus nos fez. É a prática do exercício do amor que gera a paz. Essa é a proposta maior da nova consciência", nos fala sabiamente o Pastor Nehemias Marien, participante e trabalhador assíduo do Encontro desde sua primeira edição, em 1992 (Clique Aqui para ver a História do Primeiro Encontro Para a Nova Consciência em 1992)

O evento se mostra uma espaço de encontro e diálogo (e não - como querem fazer crer os que, desconhecendo-o por preconceito, não obstante pretensiosamente pensam tudo conhecer - de mistura e muito menos de proselitismo, mas de encontro, compreensão, troca de idéias e enriquecimento mútuo pelo reconhecimento complementar das diferenças) entre a ciência, a filosofia e as diferentes tradições religiosas, como o catolicismo, o espiritismo, alguns representantes

As propostas e práticas de aceitação e harmonia do Encontro Para a Nova Consciência demonstram a capacidade do homem de aceitar as diferenças e a possibilidade do aprendizado mútuo pelo encontro de diferentes perspecitvas.

O saudoso Bispo de Campina Grande, Dom Luis Gonzaga Fernandes (foto, junto com o idealizador do Encontro, então prefeito e hoje governador, Cássio Cunha Lima, o Pastro Nehemias Marien e o saudoso comunicólogo Augusto César Vannucci, em foto do primeiro Encontro, em 1992) já no primeiro e histórico Encontro Para a Nova Consciência, realizado em 1992, já dizia com sabedoria e olhar amplo, acima das mesquinharias dos vários "ismos" humanos:

Quando nós falamos de ecumenismo não estamos pensando num coquetel de incongruências, mas em questões bem assentadas. Se desejamos realmente nos apresentar diante do mundo como portadores de uma bandeira religiosa (do latim religare=religar o homem ao divino, é vergonhosa nossa divisão.

É este clima de amizade, de aceitação positiva do outro, que tem feito o Encontro para a Nova Consciência um sucesso renovado e crescente ano após ano.

O clima de respeito, tolerância e cordialidade do Encontro para a Nova Consciência está, muito acima, portanto, do distoante reducionismo Pentecostalista-capitalista tão arduamente adotado por seitas midiáticas importadas ou inspiradas em similares criadas nos Estados Unidos e por este país taticamente exportadas, atuando como um vírus agressivo visando a destruir o pensamento diferente para, assim, se multiplicarem.

Estas seitas pentecostais e religiões protestantes de cunho fundamentalista (não são todas as religiões e nem todos os pastores protestantes, como já destacamos, que são assim), em uma amostra clara de pequenez espiritual, desrespeito, falta de tolerância e demonstração cabal do mais abjeto fanatismo religioso além de ficarem à porta do Teatro Municipal Severino Cabral de Campina Grande, onde se realizam as palestras mais importantes do Encontro Para a Nova Consciência, distribuindo panfletos contra o Encontro (e tendo até mesmo invadido o Teatro com faixas em um dos anos anteriores, mesmo que jamais alguém do Encontro tivesse faltado com o respeito aos autodenominados "evangélicos"), e sem que, contudo, causassem o mais leve arranhão no Encontro Para a Nova Consciência, sentiram-se ainda mais incomodadas por não terem atingido a quem só quer o bem e a paz. Por isso, desde 98 promovem um agressivo evento paralelo, mas ainda sem grande expressão, chamado - na pressuposição arrogante, ao estilo simplório-pentencostalista-fundamentalista do "renascido em Cristo" George "War" Bush, de que eles são os únicos, os melhores e verdadeiros cristãos - de Encontro para a Consciência "Cristã", com o óbvio intuito - como dá a entender o título plagiado e manipulado - de concorrer e explícito propósito, segundo eles, de refutar o Encontro para a Nova Consciência, que eles consideram - em sua farisáica "sapiência" - de vetor de "forças malignas" trazidas à Campina Grande no Carnaval pelos estudantes, professores universitários, cientistas, escritores, padres, alguns pastores mais equilibrados e lúcidos - como já vimos -, antropólogos, filósofos, enfim, gente que vem do Brasil e de outros países para o Encontro para a Nova Consciência. Deplorando a diversidade - para eles uma ameaça ao processo de doutrinação de sua única "verdade" que é, claro, altamente favorável a eles - sustentam - como fazia a Igreja Católica na época da "Idade das Trevas" - que só pode haver uma única forma de verdade cristã e uma única "Igreja do Povo de Deus" fora da qual só existe perdição e inferno, sem possibilidade de salvação. Índios, árabes, "pretensos cristãos que não conhecem o verdadeiro Deus Vivo", asiáticos, budistas, ateus, etc., por melhores pessoas que sejam em obras, por não aceitarem adesisticamente o "Cristo deles" como salvador pessoal já estão condenados. Quem desafia de alguma forma este modo de pensar é, além de herético, um mal a ser expulso e, se possível destruído. E é assim que se começam as fogueiras das diversas inquisições...

Com os recentes conflitos entre os "evangélicos" do PL e outros penteconstalistas e a Prefeitura de Campina Grande que pretendia patrocinar o encontro dos "evangélicos" de 2004 em outra data para evitar o atrito e por ser o Encontro Para a Nova Consciência o primeiro a ser feito, reerguendo o comércio e os serviços hoteleiros de Campina Grande na época do Carnaval (já que a cidade não tinha tradição carnavalesca e a cidade ficava um quase deserto neste período), ficou claro pela reação agressiva dos primeiros, incluindo a compra de matérias em jornais locais, que os prestimosos Pentenconstalistas-fundamentalistas visam acabar com o Encontro para a Nova Consciência, forçar um conflito de religiões e ainda aproveitar a deixa para fazer propaganda de si mesmos. Os Pentecostalistas, é claro, têm todo o direito de fazer os cultos e reuniões públicas que quiserem - e dinheiro e poder político para isso não lhes faltam -, desde que respeitem as demais pessoas e não se utilizem do direito de reunião para perturbar qualquer outro tipo de congregação.

Lúcidos livros, escritos por teólogos de renome internacional, como o "Fundamentalismo, A Globalização e o Futuro da Humanidade", de Leonardo Boff e "Em Nome de Deus", de Karen Armstrong, demonstram cabalmente as táticas de recrutamento e ações de violência intelectual dos grupos ditos "evangelicos" de base calvinista fundamentalista, em geral de orígem norte-americana, provocando desarmonia e impedimentos de uma aceitação pelo diferente, principal aspecto necessário à paz e crescimento humano (veja-se os discurso desequilibrado de Bush e de alguns de seus generais batistas ao expor que a estúpida Guerra contra o Iraque é uma Guerra do Bem e do Cristianismo contral o mal e o - sempre tão ardorosamente citado por fundamentalistas - Demônio, demonstrando intolerância, imperialismo, encobrimento das reais causas econômicas e estratégicas - petróleo e domínio tático da região - e desconhecimento da profundidade do islamismo, onde Jesus Cristo é venerado como um grande profeta e muito de seus ensinamentos aceitos e divulgados pelo Al Corão, bem diferente da exaltação evangélica ao judaísmo como um todo, se levarmos em consideração que Jesus Cristo não é aceito como o Messias e, quando muito, é visto apenas como um importante judeu rebelde por parte considerável da comunidade ortodoxa judáica, e ainda o total desconhecimento por certas facetas da religião de Moisés bem como as ditorções gritantes que foram feitas na Bíblia e que foram bem expostas pelo Prof. Dr. Severino Celestino da Silva, da UFPB, em seu profundo livro "Analisando as Traduções Bíblicas").

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